sábado, 31 de janeiro de 2009

Curta de Animação: Lavatory - Lovestory

Hoje, Sabadão, é dia do nosso terceiro indicado ao Oscar de Melhor Curta Animado, o russo "Lavatory - Lovestory", de Konstantin Bronzit.

O amor é sempre repentino. Ninguém se surpreende quando este acontece no trabalho, mesmo que o lugar de trabalho seja inusitado. Uma história imperdível, criado pela mesma mente por trás do engraçadíssimo "No Fim do Mundo".

Amanhã: "Oktapodi"

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Curta de Animação: This Way Up

E o curta de animação indicado ao Oscar de hoje é o inglês "This Way Up", de Alan Smith e Adam Foulkes.

No melhor estilo Tim Burton, o assustador "This Way Up" é uma animação de humor negro centrada nos personagens de dois coveiros (A.T Shank e o filho) que se deparam com bizarros problemas quando têm de cuidar do caixão de uma velha senhora. Juntos, pai e filho terão pela frente uma longa jornada a fim de que aquele corpo descanse em paz.

Amanhã: "Lavatory - Lovestory"

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Curta de Animação: Presto

Aproveitando a espera da premiação do Oscar 2009, começa hoje um especial onde você poderá conferir os cinco indicados a Melhor Curta de Animação.

E nada melhor do que começar, claro, com o favorito ao prêmio, o candidato da Pixar Animation Studios "Presto", de Doug Sweetland.

Amanhã: "This Way Up"

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Indicados ao Oscar 2009



Na quinta-feira passada saiu os indicados da 81ª cerimônia do Oscar. A festa, que este ano terá o ator Hugh Jackman (X-Men, Austrália) como mestre de cerimônia, teve os filmes O Curioso Caso de Benjamin Button e Quem Quer Ser um Milionário? como os campeões de indicações. Outras curiosidades são as indicações do casal Brad Pitt e Angelina Jolie aos prêmios de melhor ator e melhor atriz, as oito indicações de Batman – O Cavaleiro das Trevas, com destaque para a esperada indicação de Heath Ledger como ator coadjuvante pelo papel de Coringa, e a possível premiação dupla dos estúdios Pixar Animation concorrendo com Wall-E como melhor animação e Presto como melhor curta animado, além de ter outras indicações a prêmios técnicos por Wall-E.

A cerimônia que acontece na noite de 22 de fevereiro, domingo de carnaval está correndo sérios riscos de não ser transmitida pela TV aberta. Ou alguém aí acha mesmo que a Rede Globo deixará de passar a primeira noite de desfiles do carnaval do Rio de Janeiro para exibir a cerimônia do Oscar, se nos anos anteriores o início sempre era cortado para não “atrapalhar” a votação do paredão do BBB. Faz tempo que estou torcendo para que Oscar volte a ser transmitido pelo SBT. Pelo menos lá, eles tinham mais respeito com os amantes do cinema, já que houve ano que passaram até o Tapete Vermelho.

Bom, agora deixa eu ir que vou fazer o meu bolão. Deixo vocês com os indicados:

Melhor Filme
O Curioso Caso de Benjamin Button
Frost/Nixon
Milk - A Voz da Igualdade
O Leitor
Quem Quer Ser um Milionário? (Slumdog Millionaire)

Melhor Atriz
Anne Hathaway (O Casamento de Rachel)
Angelina Jolie (A Troca)
Melissa Leo (Frozen River)
Meryl Streep (Dúvida)
Kate Winslet (O Leitor)

Melhor Ator
Richard Jenkis (The Visitor)
Frank Langella (Frost/Nixon)
Sean Penn (Milk - A Voz da Igualdade)
Brad Pitt (O Curioso Caso de Benjamin Button)
Mickey Rourke (O Lutador)

Melhor Atriz coadjuvante
Amy Adams (Dúvida)
Penelope Cruz (Vicky Cristina Barcelona)
Viola Davis (Dúvida)
Taraji P. Henson (O Curioso Caso de Benjamin Button)
Marisa Tomei (O Lutador)

Melhor Ator coadjuvante
Robert Downey Jr. (Trovão Tropical)
Philip Seymour Hoffman (Dúvida)
Heath Ledger (Batman - O Cavaleiro das Trevas)
Josh Brolin (Milk - A Voz da Igualdade)
Michael Shannon (Foi Apenas um Sonho)

Melhor Diretor
Danny Boyle (Quem Quer Ser um Milionário? - Slumdog Millionaire)
Stephen Daldry (O Leitor)
David Fincher (O Curioso Caso de Benjamin Button)
Ron Howard (Frost/Nixon)
Gus Van Sant (Milk - A Voz da Igualdade)

Melhor Roteiro original
Frozen River
Simplesmente Feliz
Na Mira do Chefe
Milk - A Voz da Igualdade
Wall-E

Melhor Roteiro adaptado
O Curioso Caso de Benjamin Button
Dúvida
Frost/Nixon
O Leitor
Quem Quer Ser um Milionário? (Slumdog Millionaire)

Melhor Trilha sonora original
Alexandre Desplat (O Curioso Caso de Benjamin Button)
James Newton Howard (Um Ato de Liberdade)
A. R. Rahman (Quem Quer Ser um Milionário? (Slumdog Millionaire))
Danny Elfman (Milk - A Voz da Igualdade)
Thomas Newman (Wall-E)

Melhor Canção original
Down to Earth (Wall-E)
Jai Ho (Quem Quer Ser um Milionário? - Slumdog Millionaire)
O Saya (Quem Quer Ser um Milionário? - Slumdog Millionaire)

Melhor Filme estrangeiro
Der Baader Meinhof Komplex, de Uli Edel (Alemanha)
Waltz With Bashir, de Ari Folman (Israel)
The Class, Laurent Cantet (França)
Departures, Yojiro Takita (Japão)
Revanche, de Gotz Spielmann (Áustria)

Melhor Animação
Bolt - Supercão
Kung Fu Panda
Wall-E

Melhor Curta de animação
La Maison en Petits Cubes, de Kunio Kato
Lavatory - Lovestory, de Konstantin Bronzit
Oktapodi, de Emud Mokhberi e Thierry Marchand
Presto, de Doug Sweetland
This Way Up, de Alan Smith e Adam Foulkes

Melhor Documentário
The Betrayal (Nerakhoon), de Ellen Kuras e Thavisouk Phrasavath
Encounters at the End of the World, de Werner Herzog e Henry Kaiser
The Garden, de Scott Hamilton Kennedy
Man on Wire, de James Marsh e Simon Chinn
Trouble the Water de Tia Lessin e Carl Deal

Melhor Documentário em curta-metragem
The Conscience of Nhem En
The Final Inch
Smile Pinki
The Witness - From the Balcony of Room 306

Melhor Curta-metragem
Auf der Strecke (On the Line)
Manon on the Asphalt
New Boy
The Pig
Spielzeugland (Toyland)

Melhor Direção de arte
A Troca
O Curioso Caso de Benjamin Button
Batman - O Cavaleiro das Trevas
A Duquesa
Foi Apenas um Sonho

Melhor Fotografia
A Troca (Tom Stern)
O Curioso Caso de Benjamin Button (Claudio Miranda)
Batman - O Cavaleiro das Trevas (Wally Pfister)
O Leitor (Chris Menges and Roger Deakins)
Quem Quer Ser um Milionário? (Slumdog Millionaire) (Anthony Dod Mantle)

Melhor Edição
O Curioso Caso de Benjamin Button (Kirk Baxter e Angus Wall)
Batman - O Cavaleiro das Trevas (Lee Smith)
Frost/Nixon (Mike Hill and e Hanley)
Milk - A Voz da Igualdade (Elliot Graham)
Quem Quer Ser um Milionário? (Slumdog Millionaire) (Chris Dickens)

Melhor Mixagem de som
O Curioso Caso de Benjamin Button (David Parker, Michael Semanick, Ren Klyce e Mark Weingarten)
Batman - O Cavaleiro das Trevas (Lora Hirschberg, Gary Rizzo e Ed Novick)
Quem Quer Ser um Milionário? (Slumdog Millionaire) (Ian Tapp, Richard Pryke e Resul Pookutty)
Wall-E (Tom Myers, Michael Semanick e Ben Burtt)
O Procurado (Chris Jenkins, Frank A. Montaño e Petr Forejt)

Melhor Edição de som
Batman - O Cavaleiro das Trevas (Richard King)
Homem de Ferro (Frank Eulner e Christopher Boyes)
Quem Quer Ser um Milionário? (Slumdog Millionaire) (Tom Sayers)
Wall-E (Ben Burtt e Matthew Wood)
O Procurado (Wylie Stateman)

Melhores Efeitos especiais
O Curioso Caso de Benjamin Button (Eric Barba, Steve Preeg, Burt Dalton e Craig Barron)
Batman - O Cavaleiro das Trevas, (Nick Davis, Chris Corbould, Tim Webber e Paul Franklin)
Homem de Ferro (John Nelson, Ben Snow, Dan Sudick e Shane Mahan)

Melhor Maquiagem
O Curioso Caso de Benjamin Button (Greg Cannom)
Batman - O Cavaleiro das Trevas, (John Caglione, Jr. e Conor O'Sullivan)
Hellboy II (Mike Elizalde e Thom Floutz)

Melhor Figurino
Austrália (Catherine Martin)
O Curioso Caso de Benjamin Button (Jacqueline West)
A Duquesa (Michael O'Connor)
Milk - A Voz da Igualdade (Danny Glicker)
Foi Apenas um Sonho (Albert Wolsky)

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Crítica: Cloverfield - Monstro



J.J.Abrams realmente é um cara que sabe o que seu público gosta. Depois de estourar na televisão com séries como Alias e Lost, foi convidado para comandar o terceiro Missão Impossível e também o prequel de Jornada nas Estrelas. Neste meio-tempo, ele iniciou a produção de um filme misterioso que teve um trailer divulgado na internet que mostrava apenas pessoas em uma festa gravada por uma câmera caseira no centro de Manhattan, quando de repente explosões começam a acontecer e a cabeça da estátua da liberdade é jogada caindo no meio da rua onde continuam gravando em torno de muita histeria. O trailer causou furor, estava criado um fenômeno da internet.

Depois liberando o título provisório de "Cloverfield", Abrams inicou um marketing viral na própria internet, com sites e vídeos que continham dicas sobre a trama. As teorias nos fóruns de discussão iam de monstros gigantes a ataques terroristas. Umas até diziam que poderia ter alguma relação com a criatura misteriosa de Lost. O título provisório "Cloverfield", que era o nome da rua onde ficava a produtora foi mantido pelo tamanho da repercussão via internet e o filme finalmente estreou sem nenhuma imagem da criatura ser revelada, pois, que se tratava de um filme de monstro, isso todo mundo já sabia. A distribuidora nacional aliás, fez questão de estragar qualquer sutileza, inserindo o subtítulo "Monstro", totalmente desnecessário.

Na trama Rob Hawkins (Michael Stahl-David) mora em Nova York e está prestes a se mudar para o Japão (ironicamente o país que é conhecido por seus monstros gigantes famosos). Ele reúne os amigos em uma festa de despedida, na qual também é revelado sentimentos mal-resolvidos. Entretanto um forte solavanco assusta os convidados. Todos buscam notícias sobre o ocorrido na TV, que diz que a cidade sofreu um terremoto. Ao chegar ao terraço para ver os estragos o grupo nota bolas de fogo no céu, seguida pela queda de luz na cidade. O pânico toma conta de todos, o que aumenta ainda mais quando eles chegam à rua e presenciam acontecimentos extraordinários.

O filme é uma mistura de A bruxa de Blair, Godzilla e Tubarão. Explico, de Godzilla, vem a inspiração para o gênero "monstro gigante ataca metrópole". O Próprio Abrams declarou que teve a idéia para o filme após ver colecionáveis de Godzilla no Japão, foi quando pensou que os EUA também precisavam ter seu próprio monstro. De Tubarão, Abrams e o diretor Matt Reeves aprenderam a não entregar tudo de uma vez, criando um enorme suspense e tensão no espectador a cada relance que é revelado do monstro. E de A Bruxa de Blair foi chupada a idéia de mostrar o filme como se fosse uma gravação verdadeira feita por câmera caseira. A diferença é que em A Bruxa de Blair, apesar de ser mostrado como se fosse uma gravação real, os personagens eram estudantes de cinema fazendo um documentário, o que dava um aspecto mais profissional a gravação. Já em Cloverfield, são apenas pessoas comuns gravando uma festa com uma câmera caseira, o próprio rapaz que filma a maior parte do tempo, deixa claro que ele não tem a mínima experiência nesta área. Mas em contrapartida, hoje em dia, época da geração Youtube, é muito comum vermos câmeras amadoras por todo lado, como filmadoras digitais, maquinas fotográficas digitais e celulares. Uma coisa interessante, já que os produtores podem explorar o fato de que podem haver mais gravações do mesmo evento, com pontos de vistas diferentes.

É claro, que durante a projeção, nos indagamos porque diabos, diante de total catástrofe e desespero, o rapaz continua filmando tudo, inclusive momentos constrangedores para os protagonistas, mas que são de real importância para quem está assistindo. Podemos relevar estes detalhes como "licença poética" para que o filme atingisse seu objetivo. Além da tensão, o diretor tenta inserir momentos descontraídos não muito inspirados, inclusive um comentário nerd envolvendo Superman que não cabia no contexto da cena. Há também uma grande história de amor, sendo que mesmo diante de uma ameaça desse patamar, o protagonista tenta atravessar a cidade para salvar sua garota. E são momentos entre o casal que vemos em flashbacks de um passeio que fizeram como se fosse uma gravação antiga entre uma pausa e outra da nova gravação.

Mas o grande destaque do filme é mesmo a criatura, Revelada pouco a pouco pela trama, a criatura é um bebê-monstro que está totalmente perdido em um habitat que não é o seu, e não entende o porque dos ataques. Os profissionais de efeitos visuais fizeram um belo trabalho, e é recompensador quando vemos perto do final do filme, um deslumbre por inteiro da criatura. É acertada também a idéia de não inserir uma trilha sonora durante o filme, sendo que a única música que toca, é após um minuto e meio após o inicio dos créditos finais, quando finalmente podemos voltar respirar e voltar a nossa realidade.

domingo, 27 de julho de 2008

Salada Dimensional




Estou eu mais uma vez aqui de final de semana abastecendo o blog. Primeiramente, me desculpo para os leitores do blog, pois ultimamente estou com meu tempo muito curto, devido a assuntos particulares e outros projetos pessoais, mas passado essa fase, prometo uma revolução no Dimensão Particular, inclusive quem sabe a entrada de colaboradores?

Bom, o que venho falar aqui hoje para vocês é sobre um projeto que já está vingando. A partir desta semana, passei a ser um dos colaboradores do site Salada Cultural, no endereço http://www.saladacultural.com.br/, um site sobre cultura em geral, sendo o carro-chefe o cinema, seguido da seção de música. O Salada Cultural é administrado pelo João Veríssimo, que mora em Salvador-BA, e que me acolheu muito bem, para ser um dos críticos da seção de cinema do site, somando agora um time de três críticos, sendo os outros o Marcelo Leme e a Rosemar Schick.

Minha crítica de estréia, claro é duplamente especial, já se trata de Batman – O Cavaleiro das Trevas. O site, apesar de ser muito bem estruturado pelo João. Ainda está em fase de desenvolvimento, com muitos projetos prestes a serem idealizados. É só ficarem ligados.

Espero que o pessoal que já acompanha de vez em quando o meu blog, possa a partir de agora sempre dar uma espiadinha no Salada Cultural. Mas em todo o caso, as novidades sempre serão postadas aqui no DP. Obrigado a todos pelo incentivo. Até o próximo post.

domingo, 20 de julho de 2008

Especial: Batman - O Cavaleiro das Trevas



Primeiramente, peço perdão se em algum momento deste meu post eu não falar coisa com coisa ou simplesmente me perder nas palavras, mas o fato é que até agora, quase um dia e meio após o término da sessão de Batman – O Cavaleiro das Trevas, ainda estou em êxtase. Assistir a este filme foi uma experiência cinematográfica tão intensa, que não apreciava desde, vamos ver... O Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei. Informo que com este post não pretendo estragar a surpresa de ninguém revelando detalhes da trama, mas sim, empolgar ainda mais as pessoas que ainda vão ver, e convencer de vez aquelas pessoas que estão pensando se vale ou não a pena conferir o novo Batman nos cinemas.

Em algumas críticas que li sobre o filme, se falava muito de se tratar do melhor filme de super-herói da história do cinema, discordo com eles. Pois O Cavaleiro das Trevas transcede o gênero, e pode ser comparado em minha opinião, não com filmes como Superman, Homem-Aranha ou Homem de Ferro, mas sim a filmes como Fogo Contra Fogo, O Poderoso Chefão 2 e Seven. Esqueça o Batman engraçadinho do seriado dos anos 60. Esqueça o Batman baixinho e pouco heróico de Michael Keaton e o Coringa brincalhão de Jack Nicholson (arma que solta bandeirinha de “bang”?), ambos dos filmes de Tim Burton. E esqueça principalmente o universo colorido, incluindo bat-mamilos nas armaduras e bat-cartão de crédito (blasfêêêmia) dos filmes de Joel Schumacher. O Batman de Christopher Nolan é sombrio, é complexo, tem profundidade em seus personagens. E todas suas bugigangas e peripércias fazem parte de um contexto, nada é gratuito apenas para poder vender mais bonequinhos.

Como em Batman Begins já presenciamos toda origem do personagem, que sim, precisava ser contada, e o Batman aparecia já com mais de uma hora de projeção, em Cavaleiro das Trevas, o filme já começa arrebentando mostrando um assalto protagonizado pelo aqui-inimigo do homem-morcego, ao mesmo tempo intercalando a ação com Batman reencontrando o Espantalho, em uma pequena participação, envolvendo cópias do herói, sendo esse um dos principais motivos para ele trocar seu uniforme. Logo também somos apresentados ao personagem mais bem desenvolvido pela trama, o promotor público Harvey Dent, que como todo bat-fã sabe, se transforma no vilão Duas-Caras.


Como já disse anteriormente, Cavaleiro das Trevas não é um filme de super-herói, aqui, Batman é humano, passível de erros, de questionamentos, se deve ou não continuar sua jornada contra o crime, sendo que por sua causa, vilões cada vez mais perigosos como o insano Coringa, começam a surgir, é a tal “escalada” citada por James Gordon em Batman Begins. Você realmente passa a acreditar que aqueles personagens poderiam sim, existir. Mérito do diretor e do elenco. The Dark Knight é um filme de máfia, policial ao extremo. A cena do interrogatório de Batman com o Coringa, desde já é uma das cenas que ficaram marcadas na história do cinema moderno. Ali fica claro que objetivo do vilão, não é dinheiro ou fama, mas sim provar para o mundo, que todo mundo pode chegar a cometer atos de loucura como ele, que é preciso apenas uma tragédia para que uma pessoa mude completamente. No decorrer do filme, ele tenta transformar a trinca dos heróis de Gotham formada por Batman, James Gordon e Harvey Dent.
E está aí, o grande acerto do roteiro. Mostrar que Batman e o Coringa são lados diferentes da mesma moeda. Ambos se transformaram no que são por causa de tragédias pessoais. A diferença são suas motivações. Em certo momento do filme, Harvey diz que ou se morre como herói, ou vive-se o bastante para se tornar o vilão. E é uma linha tênue que separa o personagem Bruce Wayne de continuar sendo um herói, ou se transformar em vilão, e é isso o que deseja o Coringa.




Todo o elenco está fenomenal, Christian Bale está mais maduro e seguro como Bruce Wayne/Batman. Os experientes Michael Caine e Morgan Freeman estão soberbos como Alfred Pennyworth e Lucius Fox respectivamente, Maggie Gyllenhall confere uma personalidade a Rachel Dawes, que a “Sra. Tom Cruise” Katie Holmes não conseguiu no filme anterior. Eric Roberts dá o tom ao mafioso da vez, Salvatori Maroni. Gary Oldman mais uma vez como James Gordon está excepcional como o único policial de Gotham que confia em Batman e é incorruptível. Aaron Eckhart como Harvey Dent/Duas-Caras está fantástico, sendo o personagem mais complexo da trama. Sendo que no início ele é considerado a esperança de uma Gotham City melhor pela população, ele é chamado por Batman como “o cavaleiro branco”, considerado por ele o verdadeiro herói que a cidade precisa, um herói com “rosto”. E esse é o mote principal do homem-morcego, transformar Harvey em um verdadeiro herói e finalmente poder sair de cena de uma vez por todas. Mas claro que a atuação mais destacada é sim do falecido Heath Ledger, ele simplesmente encarna o Coringa. Um louco psicótico que tem como principal objetivo, promover o caos. Apenas isso, como ele mesmo diz, “eu sou como um cachorro correndo atrás de um carro, não tenho a mínima idéia do que farei quando conseguir alcançá-lo”. Isso não importa para ele, até a origem dele, acertadamente o roteiro não conta. Ele mesmo, durante o filme, conta no mínimo umas três histórias diferentes sobre suas cicatrizes, o que deixa claro, que ele é tão louco, que não tem nenhuma noção nem da onde veio.

Muitos estão dizendo que Heath Ledger merece o Oscar pela sua excelente atuação como o palhaço do crime. Sinceramente não acho que a Academia daria o prêmio póstumo para ele, mas acho bem possível que receba uma indicação entre os cinco. Até porque a Academia já quebrou alguns tabus dando prêmios para filmes de fantasia como a trilogia O Senhor dos Anéis, e indicando Johnny Depp pelo filme Piratas do Caribe. Mas na minha opinião, o filme não deveria ganhar uma indicação apenas para ator, mas sim, para “melhor diretor”, “melhor filme”, “melhor edição”. Ironicamente, um dos prêmios que com certeza ele não terá indicações, será a de “melhor efeitos especiais” (prêmio esse que vira e mexe conta com filmes de super-heróis), já que o filme quase não usa truques digitais, é tudo real, a explosão de um hospital inteiro é real, um caminhão enorme capotando em plena avenida também é real.

Por fim, Batman – O Cavaleiro das Trevas é o retrato que todo leitor das HQs do herói, que conhece a fundo o seu universo, sonhava em ver traduzido nas telas do cinema. Os personagens já consolidados em mais de seis décadas foram traduzidos pelo diretor Christopher Nolan para uma realidade crível. Vemos no filme um pouco de cada uma das principais obras de Batman nos quadrinhos, sendo elas, Batman – Ano Um, O Cavaleiro das Trevas, HQ que o filme pegou o título emprestado, A Piada Mortal, Asilo Arkham, O Longo Dia das Bruxas e Vitória Sombria.

Neste exato momento deve estar havendo uma reunião de cúpula na Marvel, com todos preocupadíssimos em como que eles poderão superar uma obra tão densa e complexa quanto este último projeto da DC. Em uma cena do filme, o Coringa diz para Batman, "você mudou as coisas para sempre", e isso vale também para o cinema, pois os filmes baseados em heróis dos quadrinhos nunca mais serão os mesmo. O que deixa a gente na expectativa do que ele fará no praticamente certo terceiro filme. Mas por enquanto ainda estou degustando esta pequena obra-prima, que desde já, posso afirmar que é um dos meus filmes preferidos de todos os tempos, e futuramente terá um lugar reservado em minha DVDteca.